Às vezes tudo espanta
E a gente não se encanta
Não canta
Não levanta
A solidão se agiganta
Dá um nó na garganta
A vida aquebranta
Silêncios antigos cobrindo a alma
O tempo passa a se arrastar
Nada parece chamar
Lá fora o mundo gira
Por dentro tudo repousa
Num estranho e contínuo entardecer
O espírito se recolhe
Aonde nem o pensamento alcança
Uma parte secreta atravessa corredores de sombra
Buscando antigas chaves perdidas na memória
A alma ouve vozes que o ouvido não compreende
O coração caminha por trilhas
Que só se revelam quando a luz se apaga
Mas nem todo silêncio é vazio
Há silêncios que são portais
Nesses momentos alguma coisa invisível trabalha
Toca o mais fundo da alma
Como raizes que crescem no escuro da terra
Até que um dia, sem aviso,
A alma desperta do recolhimento
Ergue os olhos para os mistérios do mundo
E descobre que o que parecia ausência
Era apenas o universo escrevendo em segredo
Um novo começo dentro de nós.
Linda interação de Poeta Olavo
Obrigada!
A sua poesia é uma planta
Com versos que nos encanta
Dá frutos que não desencanta
Num talento que se agiganta.