Nádia Gonçalves
A cada dia cresço, esclareço e me transformo em prismas de puro brilho essenciais à minha alma.
Textos

Visceral

Havia a simplicidade do sentir, a beleza do ser

Havia ternura no viver, inocência das flores desabrochando

Havia o desejo da carne, a sensibilidade da alma

Havia a sede de amor, a fome de viver

Havia um silêncio denso, sagrado

Sonhos selados

Beijos roubados

Abraços apertados

Gemidos abafados

Desejos ousados

Amor apressado

Eram rio que ignora as margens para inventar o próprio leito

Eram o sagrado e o profano dançando no mesmo ritmo, sem culpa

Eram um agora eterno onde carne e espírito se tornam cúmplices

Eram o avesso do óbvio, o oposto do exato

Eram a nota dissonante que faz a música valer a pena

Eram a tinta que mancha o branco da vida e a torna plena

Eram pura vertigem de ser e de estar

Eram o destino e a origem

Havia toque onde a pele encontra o infinito

Havia silêncio onde o gemido se torna oração

Havia verdade onde o ser se despe de máscaras para sentir a essência

Havia a celebração do caos que arde com a intensidade do sol

A urgência se despia de regras para deixar desabrochar o prazer

Tudo pulsava sem precisar de nome ou identificação

Entre o sopro e o arrepio o tempo se perdia

Num instante eterno uma pele reconhecia a outra

Nada era certo, por isso, possível

Nada era dito, tudo era sentido

Corpos falavam línguas antigas

Almas se entrelaçavam em promessas

Revolução silenciosa de dois universos se colidindo

Eram caos onde o proibido florescia

O sentir era doutrina

E ficou um rastro de calor na memória

Suspiro no invisível

Infinito viver que deixa marcas eternas...

 

Linda interação do Poeta Olavo!

Obrigada!

 

Havia um tempo e um espaço para serem preenchidos. 

Havia um homem querendo e uma mulher sem ais.
Havia um amor findo em arrepios desaparecidos.

Havia a falta que agora não existe mais.

 

Nádia Gonçalves
Enviado por Nádia Gonçalves em 22/03/2026
Alterado em 05/04/2026
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