Nádia Gonçalves
A cada dia cresço, esclareço e me transformo em prismas de puro brilho essenciais à minha alma.
Textos

Ventania

Sabia o que a vida queria,

O que o mundo sugeria.

Sabia da noite vazia,

Da manhã fria.

Sabia do dia a dia, a correria,

Das cartas, a caligrafia.

 

Sabia que um dia se acharia

Com a alma em calmaria.

Chorava sem entender por que ardia,

Vivia de sonho e teoria.

Não tinha medo da fantasia,

Nem da hipocrisia

Ou da agonia.

 

Sabia das Marias que em si havia:

Maria das Dores, das Graças, das Raças, das Flores, Maria

Sabia que um dia se encontraria

E em meio à ventania

Pra sempre se redimiria.

 

Na força daquela hora tardia,

A busca cessava, a dualidade sumia.

O peso do mundo, não temia

Nem a dor que a carne sentia.

 

Tornou-se o espaço, a nota oculta da melodia.

E no sopro final que tudo consumia,

Entendeu que o sagrado em si renascia.

 

Compreendeu enfim o que a vida lhe trazia:

Não era riqueza, poder ou garantia

Mas despertar o amor que nela dormia

Fazer do próprio ser morada da harmonia.

 

Desde então seguia

Leve, trazendo nos passos a doce alquimia

De quem em meio à ventania

Faz da existência uma serena travessia...

Nádia Gonçalves
Enviado por Nádia Gonçalves em 27/05/2026
Alterado em 29/05/2026
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