Nádia Gonçalves
A cada dia cresço, esclareço e me transformo em prismas de puro brilho essenciais à minha alma.
Textos

Decifrar-se

Chorou até doer a cabeça.

Teve pena de si, lamentou sua sorte.

Sentiu-se a mais infeliz das criaturas.

A noite passou, o sol brilhou.

Ergueu-se do abismo.

Banhou-se, perfumou-se.

Maquiou-se, penteou-se.

Vestiu-se com a melhor roupa.

Ao se olhar no espelho viu refletida uma nova mulher.

Não estava mais ferida na alma. Não era espera e nem ausência

Era uma mulher que se valoriza e se ama.

Quem traiu nunca lhe mereceu.

Saiu de cabeça erguida, ainda tinha uma vida pela frente.

Um dia tudo seria diferente.

Ao sair percebeu que o mundo permanecia o mesmo.

Ela, no entanto, não era mais a mesma.

Era como se sobre si uma aura de luz brilhasse.

Sentia as pessoas olhando num misto de supressa e admiração.

O vento acariciava seus cabelos em discreta saudação.

Fechou os olhos por um instante e sentiu uma presença luminosa no coração.

Ouviu um sussurro:

"Nem sempre uma perda é ruim. As vezes é libertação, verdadeiro livramento.

O que se rompe pode ser o que liberta a alma para cumprir seu destino."

Abriu os olhos e um raio de sol a beijou. Ela sorriu.

Ninguém lhe roubara um amor, apenas desfez o que era ilusão.

O acaso afastou quem já não caminhava na mesma frequência de sua essência.

Seguiu seu caminho.

Cada passo era oração, cada respiração, renascimento.

Cada batida do coração, um chamado para uma vida nova.

Enquanto virou a esquina, anjos recolhiam os fragmentos do que não mais lhe servia, devolvendo-os ao infinito.

A nova mulher caminhava sozinha, acompanhada da própria luz.

Não precisava mendigar amor de ninguém. Ela se bastava.

E se um dia vivesse outro amor, seria amor verdadeiro e espontâneo.

Aquele que se recebe sem ser pedido, que se vive sem amarras

Apenas amor em seu estado mais puro.

Nádia Gonçalves
Enviado por Nádia Gonçalves em 27/07/2026
Alterado em 27/07/2026
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