O reino dividiu-se: de um lado a luz, paz, dignidade e promessa de um porvir risonho, humano, de liberdade plena e respeito à democracia.
Do outro, uma horda ensandecida marchava para as trevas num transe maldito que os cegava. Nem sentiam que os pés sangravam nas pedras do ódio e que os fazia babar uma espuma pegajosa, iludindo-os pelas mentiras e pela sede de beberem sangue como morcegos em eclipse permanente.
Guiados pelas trevas, tentavam devorar a lucidez dos que caminhavam sob o arco íris. Mas a multidão iluminada plantou os pés no chão com garras de aço e, inabaláveis, não cederam um passo sequer e o eco da resistência transformou-se em refrão:
—Ainda que tentem apagar o nosso brilho, somos iluminados pelas estrelas.