Passam horas, dias, meses, anos.
Passa a vida sem graça, sem raça; passa.
Cada dia menos cores, menos flores, menos amores.
Cada dia estranhamento, alheamento, arrependimento.
Cada dia descrença, desavença, indiferença.
Um dia, desilusão; outro solidão.
Dias de sem chão, dias em vão.
Ausência de cores: a alma agoniza.
O coração insiste, insiste, insiste...
Um sopro escondido nas frestas do tempo,
Chama quase apagada que se recusa a extinguir.
Quando tudo parece silêncio, algo sussurra.
Não vem de fora, não tem voz nem forma.
É presença que atravessa a escuridão e toca o invisível.
Talvez a vida não tenha partido.
Talvez esteja apenas esperando a volta da primavera.
Ausência de cores: a alma luta, labuta.
O coração insiste, insiste, insiste...